O ser humano por vezes, muitas vezes, é incapaz de usar a lógica e se mete em sarilhos dos que depois não vê por onde sair... Como as cobras, que quando entram no buraco já não podem andar para atrás por mor das escamas que as recobrem todo ao longo e ao largo do seu corpo, e que não lhes permitem andar de ceia-cú para rectificar qualquer cousa que seja que não vai bem.
Pois bom, esta situação na que por vezes nos vemos imersos os humanos é parecida, de jeito que nós pensamos que temos que seguir para diante como quer que seja. Talvez no nosso caso, se me acaba de ocorrer agora a mim, isto tenha algo a ver com a insistência de alguns em dizer que nós temos duas línguas; mas não é certo, só temos uma, duas têm as cobras, que também não podem andar ao pra trás, mas nós podemos... embora esqueçamos essa habilidade muito frequentemente.
Uma dessas situações deu-se-me a mim o outro dia quando dava uma olhadela a um inquérito, num desses jornais impressos na Galiza, no que se perguntava se se devia dedicar mais tempo ao Galego que ao Inglês no horário escolar. Em princípio a pergunta faz pôr a um os pêlos todos do corpo de ponta, porque já abonda de foçar e foçar na contra da nossa língua, mesmo parece que a alguns porcos não há quem os ferre... Que saudade dos tempos em que os ferreiros faziam aqueles aramios para colocar nos focinhos dos bácoros para que depois de grandes não pudessem foçar, que eram capazes até de botar abaixo as paredes da casa; sim, talvez esses tempos são passados e vá que a nós nos iria fazer jeito agora por aqui um bom ferreiro! Ou uma dúzia... porque o que é porcos não faltam. Enfim, voltando ao inquérito, a pergunta é ofensiva, mas se se repara bem, e se segunda a ler, um pode concluir, acertadamente, que depende... Depende do lugar (porque não se especifica na pergunta do tal inquérito); se estamos a falar de Castela ou mesmo de Andaluzia..., pois não, não me parece lógico ou justo que nesses lugares tenham mais horas de Galego que de Inglês, ...ou talvez sim!? Falar de justiça num estado como o Espanhol também não tem lógica.
Ora nós devemos estar precavidos contra os media espanhóis e espanholizantes, e alguns jornais são ambas cousas.
A mim veio-se-me à cabeça aquelas perguntas que de pequenos nós faziam nossos pais, e que nossas mães nos ajudavam a responder...
E logo tu que queres melhor: morrer ou rebentar?
Pois eu rebentar....
e a mãe: - burrinha, se rebentas também morres... diz-lhe que nenhuma das duas, que tu queres viver...
Sim, a pergunta desse inquérito é desse estilo... Respondas o que responderes estás a falar de morte, morte para o Galego, é claro, porque sobre Castelhano não se pergunta cousa nenhuma.
Logo a pergunta que eles em realidade estão a fazer é outra, algo como:
Queres que matemos o Galego de golpe ou os poucos? A menina pequena iria dizer. - Aos poucos que assim ainda vive... Que pena que não esteja já sua mãe para lhe ensinar... Ou talvez a pergunta não é tanto uma pergunta, e o que se pretende é afirmar que se pode pôr em questionamento a nossa língua... Havia era que dar-lhes com a pergunta nas ventas, é dizer-lhes que não queremos ser questionados com esse descaro acerca de algo que está no cerne da nossa essência, da nossa identidade; e ainda para mais perguntados por um jornal espanhol, e escrito em Castelhano; ...vai lá perguntar no teu contexto lógico, e deixa-nos viver. Acaso A Nossa Terra vai fazer inquéritos a Burgos por exemplo, para ver se a gente quer mais Castelhano do que Inglês... Pois é claro que não, logo então a nós por que lei divina nos têm que vir lá com essas perguntas sem lógica nem sentido nenhum da justiça? Mágoa que se nos deixara de treinar para desconfiar das intenções das perguntas dos forasteiros (tanto tem que sejam pessoas ou jornais, e também tanto tem que morem em terra alheia como na própria)
Como aquela:
Quantos cestos de terra terá O Larouco? (essa enorme montanha que leva o nome do deus celta, e que agora tem ganho muita fama pola prática que lá se faz com parapente, sempre atirando-se para o lado galego, e por vezes têm a gente chegado até Alhariz)
E o tio Abelardo, com uma récua de crianças, todas as do lugar, à sua volta, respondia com muita tranquilidade ao forasteiro que sempre vai de listo:
Depende de como seja o cesto, se o cesto é mais grande do que é O Larouco ainda não o enche.
A túa teoría da cobra, Concha, coincide cunha miña que eu chamo da nasa (poida que porque vivo na Fisterra e aquí todo arrecende a mar) e dáse en moitas situacións que se voltan insostibles. O asunto do Gaiás, por exemplo, é un caso paradigmático de nasa: o congro meteuse dentro e xa non é quen de saír. O síndrome da nasa dase en todas partes: Bush está na nasa de Irak desde hai anos, os de Batasuna na nasa de ETA desde hai algúns máis, China é unha nasa xigantesca e o global warming é a nasa das nasas. Eu sosteño que o que nos impide sair da nasa (o mesmo que as súas propias escamas lle impiden saír do furado á cobra ) é a falta de perspectiva. Se o congro poidese ver a nasa desde fóra, decatariase de que hai un furado polo que fuxir (curiosamente o mesmo polo que entrou) e en sucesivas ocasións, tería máis coidado á hora de encetar ese anaco de xarda que aboia entre augas.
He, he,
como naquele conto de Lugrís que um ministro (que coincide suspeitosamente no perfil de favoritos caciquis e mediáticos que ainda temos) por amolar um labrego lhe pergunta:
- e ti de escolher que preferirias ser: burro ou cabalo?
e o labrego, Bastián petrúcio sabido lhe resposta: - Eu burro.
e ante a resposta de por que? do ministro ele retruca:
- homem, é que sendo burro um pode chegar a ministro.
saúde
Pois... que che ir dicer eu...
O galego é a nosa lingua e Galiza a nosa Nación. A loita contra a dictadura de Castela leva xa máis de 500 anos. A loita continúa...
Somos guerreiros dumha longa guerra...
(longa noite de pedra, 500 anos como diz Pedrel)
somos resistentes, até hoje invencíveis,
e só merecemos ser chamados de galegos
mentres não esquecermos isso.
Avante Sempre, e parabéns !!!
Sem dúvida, o inquérito é ofensivo e mesmo malintencionado. Procura de maneira silenciosa levar os galegos para becos sem saída.
AVANTE A BATERIA DE ARTIGOS !!!
Querida Concha: Segue escribindo, alumeando, aloumiñando...¡Grazas!
De acordo com os postulados do nacionalismo espanhol (eeeh..., desculpem, do "não-nacionalismo"), as línguas minoritárias não servem para nada, por isso todos devemos falar espanhol, é polo nosso próprio benestar...Certamente, os reintegracionistas não consideramos que o Galego seja uma língua minoritária, pois achamos que é falada por muitos milhões de pessoas (galego = português, igual que castelhano = espanhol); ora, o argumento não muda miuito, pois todos sabemos que mesmo os brasileiros estão a aprender espanhol, essa magnífica língua superior, como tolos, pois com o seu galego (sim, insisto, os brasileiros falam galego), não vão a nenhures. Então, eu proponho que nas escolas galegas se estudem dous idiomas: inglês e chinês, que obviamente são as línguas com maior futuro no planeta. O galego, prás romarias; e o castelhano, prós "toros".
Dende logo, mirando o mal que "fala", dá vergoña até conxugar o verbo neste caso, inglés a rapazada galega e, moito ollo!!, o mal que falan galego aqueles que o teñen que aprender na escola, porq por desgraza iso xa acontece nalgunhas zonas do noso país, a pregunta do xornal é xa non ruín e malintencionada como di Concha, senón estúpida. O que interesa é que falen galego, inglés, castelán e se dá tempo a falaren francés ou chinés, pois mellor. E síntoo moito pero non concordo co argumento de suso, que di que o galego vale porq non é lingua minoritaria, desbota a ignorancia española querendo formar parte do mesmo xogo. Ahh!, como eu falo portugués, -ou algo semellante-, pois xa son dunha lingua das "boas" e que se foda o mundo. Pois non. Eló se só falasemos o noso idioma non sei, 100.000 ou 10.000 persoas no mundo, xa nos teriamos que pasar a un dos idiomas "macanudos" que falan millóns de persoas???
Non hai linguas minoritarias, hai linguas minorizadas
Caro lavesedo:
Pois tens razão. O número de falantes não importa nada. Todas as línuas são igualmente dignas e importantes. O euskera é uma língua falada apenas por uns centos de milheiros de pessoas, e merece os mesmos direitos e a mesma normalização que o catalão, falada por vários milhões. Ora, eu não che tenho a culpa de que o galego não esteja nesse caso. Podia estar, e defender-se-ia com igual força. Per é que não está, que lhe queres....também um fulano de Sória podia dizer que o que falam os mexicanos é outro idioma que não é castelhano, e que ele não entende os argentinos...e que o autêntico castelhano só se fala em Espanha...pois bem. Também há muitos brasileiros que acreditam que o brasileiro é um idioma diferente do português, a rede está cheia de debates sobre esse assunto, procura em google, se quiseres, "brasileiro não é português" e verás que surpreendente...Eu respeito esse ponto de vista, simplesmente não o partilho. Também há quem acredita que o Galego-asturiano é uma língua diferente do galego. Afinal, que um idioma seja ou não seja "independente" é uma questão política, não linguística.
(deste-me uma ideia, Suso)
Soy de Soria y afirmo que el castellano es una lengua diferente del argentino o el boliviano o el mejicano, que no los entiendo. El verdadero castellano se habla en Soria y tenemos que defenderlo para conservar nuestra pureza lingüística y mantener a salvo nuestra cultura. Viva el Soriano!
Abajo la unidad de la lengua! El argentino pa' los argentinos! Viva el Soriano de suyo!
Pureza lingüistica? Cando decides en Soria "aparcar" e "bombona", xunto a outros barbarismos e galicismos. Vamos home!! Castelán é o que falan en América que para iso foron colonizados por vós, eliminando a quen non falara "cristián"
Pero Pedrel, eso ocurrió hace más de tres siglos, es historia. Las cosas han cambiado, no puedes obviar la evolución de las lenguas y la sociedad. Ahora, en Soria estamos orgullosos de nuestra lengua INDEPENDIENTE y PROPIA. Nuestros filólogos lo dicen bien clarito: tenemos lenguas hermanas, pero el Soriano es DE SUYO y tenemos que defenderlo. Viva el Soriano!
Concha es bombistica com os teus contos didacticos, abalas-nos a todas e a algum homem tamém
pronto terás uma boa colectanea para publicares, vou gostar de maço deles todos juntos
laurinha
Obrigada a todos e a todas por lerdes meu artigo; e a alguns também obrigada por comentardes. É mesmo bom para mim conhecer vossa opinião.
Um abraço
Concha, já o tenho dito, mas reitero: és a super-craque da 'liga' dos colunistas :-D
Concha Rousia nasceu em 1962 em Covas, uma pequena aldeia no sul da Galiza. É psicoterapeuta na comarca de Compostela. No 2004 ganhou o Prémio de Narrativa do Concelho de Marim. Tem publicado poemas e relatos em diversas revistas galegas como Agália ou A Folha da Fouce. Fez parte da equipa fundadora da revista cultural "A Regueifa". Colabora em diversos jornais galegos. O seu primeiro romance As sete fontes, foi publicado em formato e-book pola editora digital portuguesa ArcosOnline. Recentemente, em 2006, ganhou o Certame Literário Feminista do Condado.